Leather – II

Urubuz | Nacional | 2018

Foto: Luciana Pires/Divulgação

Leather – II

Por Daniel Dutra | Fotos: Luciana Pires/Divulgação

Quase 30 anos depois, Leather Leone chegou ao segundo disco solo. Não exatamente solo, é verdade, porque II é um título sintomático para o sucessor de Shock Waves (1989). A passagem pela América do Sul no fim de 2016, numa turnê conjunta com Rob Rock, levou a vocalista a conhecer seus novos parceiros no crime: os brasileiros Daemon Ross (guitarra), Thiago Velasquez (baixo) e Braulio Drumond (bateria), e a formação é completada pelo guitarrista Vinnie Tex – que, naqueles shows pelo continente, se juntou aos três músicos para completar a banda que também acompanhou a voz do Impellitteri.

Resumindo, o resultado é mesmo um somatório de forças que fez de II um dos melhores discos de heavy metal de 2018. Um trabalho que, diga-se, respira os anos 80, mas com uma produção que o faz passar ao largo do datado, apesar da sonoridade ser nostálgica. Felizmente. Juggernaut, por exemplo, abre o CD com pinta de música feita para igualmente abrir os shows: é uma porrada na cara, cheia de solos cortantes (o início técnico e virtuoso parece saído de alguma sessão instrumental do Racer X ou Cacophony) e um refrão simples e bom de cantar.

The Ousider e Lost at Midnite reduzem um pouco a marcha, mas só para mostrar o lado bem tradicional do metal da época de ouro, com riffs de guitarra em destaque – a segunda, inclusive, faz bom uso do tradicional recurso de cantar em cima do riff principal. Inspirada pela passagem de Leather pela poluída Bogotá, capital da Colômbia, Black Smoke adiciona mais peso à fórmula, e The One junta todos os predicados musicais das três anteriores e volta a acelerar o ritmo.

O nível continua alto em canções como American Woman, que tem um baita instrumental, e em duas canções que mostram a garganta poderosa de Leather, Sleep Deep e Let Me Kneel, esta com uns backing vocals bem legais para o nome da música no refrão – e se você se incomodar vez ou outra com os vibratos da vocalista, então não conhece o trabalho da Voice of the Cult com o Chastain, seja nas décadas de 80 e 90, seja no retorno à ativa nos anos 2010, quando gravou mais dois álbuns com David T. Chastain, Surrender to No One (2013) e We Bleed Metal (2015).

Porque, afinal, são eles parte do charme das três melhores faixas do álbum. Quase uma ‘power ballad’, Annabelle faz bonito com um instrumental cujas quebradas comandadas pelos bumbos foram uma bela sacada – e não, a música não fala da boneca que é uma das estrelas da franquia “Invocação do Mal”, apesar de a letra ter sido baseada numa criança, digamos, assustadora; Hidden in the Dark é irmã mais bonita de Juggernaut, com refrão e solo que acompanham à altura a ótima performance da Leather; e a contagiante Give Me Reason fecha II mostrando o encontro perfeito entre o rock’n’roll e o heavy metal.

Faixas
1. Juggernaut
2. The Outsider
3. Lost at Midnite
4. Black Smoke
5. The One
6. Annabelle
7. Hidden in the Dark
8. Sleep Deep
9. Let Me Kneel
10. American Woman
11. Give Me Reason

Banda
Leather Leone – vocal
Vinnie Tex – guitarra
Daemon Ross – guitarra
Thiago Velasquez – baixo
Braulio Drumond – bateria

Lançamento: 13/04/2018

Produção: Rodrigo Scelza e Vinnie Tex
Mixagem: Stawek e Wojtek Wieslawski

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