Angra – ØMNI

earMusic/Shinigami | Nacional | 2018

Foto: Divulgação

Angra – ØMNI

Por Daniel Dutra | Fotos: Henrique Grandi/Divulgação

A entrevista que fiz com Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli para a edição 229 da Roadie Crew, de fevereiro de 2018, deixou uma coisa bem clara: ØMNI é o melhor trabalho do Angra desde Temple of Shadows (2004). Uma opinião deste que vos escreve, claro, mas compartilhada pelos próprios músicos. Por quê? Porque o nono álbum de estúdio da banda é ambicioso do conceito à execução musical – e vale a pena para o amigo leitor conferir no site outras partes do longo papo com o baixista e o guitarrista (clique aqui para ler). Mente criativa por trás da história, Bittencourt esmiúça seu peculiar método de trabalho e dá dicas de leitura para quem tiver interesse em se aprofundar nas questões que permeiam o enredo: viagem no tempo, inteligência artificial, consciência coletiva…

E da mesma maneira que tamanha riqueza de detalhes não coube nas páginas destinadas à entrevista, assim a leitura tem continuação no universo da internet, é preciso ouvir ØMNI com atenção e uma boa quantidade de vezes para absorver todos os detalhes. Porque Bittencourt, Andreoli, Fabio Lione, Marcelo Barbosa e Bruno Valverde criaram uma obra que musicalmente, na discografia do grupo, talvez possa ser comparada apenas a Holy Land (1996). Não que as músicas mergulhem a fundo em ritmos brasileiro, mas pelo fato de o instrumental ir além do que já está habituado um quinteto acostumado a quebrar paradigmas.


O principal exemplo pode ser ØMNI – Silence Inside, que em seus pouco mais de oito minutos é tão complexa que o arranjo de cordas acaba servindo de cama para o instrumental. Há peso e beleza, há elementos progressivos e virtuosismo em passagens e mudanças de tempo de tirar o fôlego. Não à toa a faixa seguinte, ØMNI – Infinite Nothing, que encerra o álbum, é uma instrumental orquestrada que viaja por melodias e harmonias das outras canções. A trilha sonora ideal para você tentar assimilar tudo o que ouviu.

Aquele Angra que os fãs sempre esperam é encontrado em Light of Transcendence e Travelers of Time, que seguem o molde de Rafael (novamente, leia as entrevistas) com uma sequências de ótimos riffs e temas de guitarra. Ou em Insania, com um refrão forte e pegajoso; na rápida e pesada War Horns, que tem a participação de Kiko Loureiro; e Caveman, cujo groove sensacional carrega ritmos brasileiros e parte da letra em português.

E aquele Angra que pensa fora da caixinha, felizmente, dá as caras nas belíssimas The Bottom of My Soul, cantada por Rafael, e Always More, na qual Lione dá uma aula (é brincadeira o que esse cara canta). E como se não bastasse tudo isso, a banda ainda apresenta duas das melhores músicas de sua história: Magic Mirror, uma joia que transita entre o peso do heavy metal e a sofisticação jazz pop de Sting, e Black Widow’s Web, exatamente a canção que traz Sandy e Alissa-White Gluz. E se você torceu o nariz antes de escutá-la, faça isso tendo em mente o conceito artístico, porque o contraste das duas vocalistas ficou primoroso.


Faixas
1. Light of Transcendence
2. Travelers of Time
3. Black Widow’s Web
4. Insania
5. The Bottom of My Soul
6. War Horns
7. Caveman
8. Magic Mirror
9. Always More
10. ØMNI – Silence Inside
11. ØMNI – Infinite Nothing


Banda
Fabio Lione – vocal
Rafael Bittencourt – guitarra e vocal
Marcelo Barbosa – guitarra
Felipe Andreoli – baixo
Bruno Valverde – bateria


Convidados especiais
Alissa White-Gluz – vocal
Sandy – vocal
Kiko Loureiro – guitarra

Lançamento: 16/02/2018

Produção e mixagem: Jens Bogren

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