Dream Theater – Systematic Chaos

Roadrunner | Importado | 2007

Foto: Divulgação

Dream Theater – Systematic Chaos

Por Daniel Dutra | Fotos: Divulgação

Houve quem ficasse preocupado. Depois de 14 anos com a Atlantic, o Dream Theater migrou para a Roadrunner, que tinha se tornado a casa do new metal, provavelmente o estilo mais polêmico do rock depois do grunge – e igualmente detestado pelos fãs de heavy metal. No entanto, a inclusão do quinteto – James LaBrie (vocal), John Petrucci (guitarra), John Myung (baixo), Jordan Rudess (teclados) e Mike Portnoy (bateria) – no cast apontava nada mais que uma mudança de mentalidade e/ou postura da gravadora.

Há três anos, a Roadrunner já apostara suas fichas no Nightwish, lançado o multiplatinado Once nos Estados Unidos, mas depois vieram contratações de nomes de peso como Opeth, Black Label Society e Megadeth, que lançaram seus novos discos sem qualquer resquício de Limp Bizkit, Linkin Park ou Korn em seus trabalhos – e basta ouvir Ghost Reveries, Shot to Hell e United Abominations para se ter certeza. Com o Dream Theater não poderia ser diferente, e os fãs ganharam de presente aquilo que o grupo não conseguiu fazer com Train of Thought, ou seja, um álbum pesado, realmente bem pesado, mas de audição agradável.

Systematic Chaos, que também chega ao mercado na forma de uma edição especial com um DVD de 90 minutos sobre a gravação do disco, é um híbrido do CD lançado em 2003 com o trabalho anterior de estúdio, o excelente Octavarium (2005). Portnoy e companhia acertaram na mão ao misturar o peso com o lado progressivo, facetas sempre presentes na música do grupo. Isso, claro, sem abrir mão do virtuosismo que fez o Dream Theater se tornar um dos nomes mais respeitados do rock pesado e um fenômeno do estilo no Brasil.


In the Presence of Enemies Pt. 1 abre o CD dando exatamente as cartas mostradas no parágrafo acima. Com ares de Rush em vários detalhes, ela ainda vai além ao fazer a alegria de quem sentia falta de uma maior ênfase nos solos dobrados de guitarra e teclados. Petrucci e Rudess são bem escorados por Portnoy, que em Systematic Chaos tem uma performance mais destacada do que em Octavarium. Apesar da mudança de direcionamento de um álbum para outro, Forsaken prova que o processo de composição não é aleatório, pois veste o uniforme de faixa mais acessível (em grande parte por causa do seu refrão). Poderia ser acompanhada por Prophets of War, mas esta tem um refrão mais forte – e sensacional, a bem da verdade.

Sim, o Dream Theater tem uma fórmula, mas isso não necessariamente é ruim. Constant Motion e The Dark Eternal Night são a cara do quinteto, apesar de diferentes entre si – a primeira é totalmente quebrada, enquanto a segunda transborda peso e velocidade. E em ambas LaBrie se sai muito bem, é bom ressaltar, em contraste com os vocais de apoio de Portnoy, que ganham cada vez mais destaque. A bela Repentance representa 100% a veia progressiva, mas o melhor fica mesmo para o fim, já que os quase 80 minutos do CD se encerram com duas pérolas. The Ministry of Lost Souls e In the Presence of Enemies Pt. 2 têm um instrumental para fã nenhum botar defeito (e a última, vale ressaltar, com alguns toques de Metallica) – e experimente ouvir as duas partes de In the Presence of Enemies em sequência. Systematic Chaos traz o Dream Theater em excelente forma, com destaques para os inspiradíssimos Rudess e Petrucci, e sem nada para assustar o fã.


Resenha publicada na edição 133 do International Magazine, em junho de 2007