Judas Priest – Firepower

Sony Music | Nacional | 2018

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Judas Priest – Firepower

Por Daniel Dutra | Fotos: Divulgação

Firepower nem precisou chegar às lojas – ou às plataformas de streaming, para sermos atuais – para se tornar o melhor disco de heavy metal de 2018. Será mesmo? Eu havia o escutado o CD antes mesmo de seu lançamento oficial, e nada mudou depois de quatro meses. As várias novas audições apenas realçaram a minha primeira impressão: o 18º álbum de estúdio do Judas Priest saiu fortalecido com a notícia de que Glenn Tipton não sairia em turnê por causa das limitações causadas pela Doença de Parkinson.

Um hype involuntário, obviamente, mas que causou comoção. E não estou sendo insensível, porque a comoção é justa. Não apenas porque o guitarrista é o alicerce musical da veterana banda inglesa, mas porque entramos na fase em que, de uma maneira ou de outra, os ídolos responsáveis por nossa formação musical estão nos deixando. Sim, não é fácil assimilar o fim de uma era, por mais que estejamos sendo preparados para isso nos últimos anos: Ronnie James Dio, Lemmy Kilmister, Black Sabbath, Slayer…


Firepower é mesmo o melhor trabalho do Judas Priest desde a volta de Rob Halford, em 2003. E se não é mérito algum deixar o insosso Nostradamus (2008) comendo poeira, é louvável que o vocalista, Tipton, Richie Faulkner (guitarra), Ian Hill (baixo) e Scott Travis (bateria) tenham superado o bom Redeemer of Souls (2014). Apesar de os dois discos mais recentes amargarem momentos bem irregulares, o que é bom no novo álbum é bom demais. Por isso, os 58 minutos e dez segundos de música são um exagero.

O quinteto bem poderia ter enxugado o CD de 14 para dez faixas, por exemplo. Há canções que servem para cumprir tabela – casos de Necromancer, Flame Thrower e Spectre, todas não mais que legais – e outras duas completamente dispensáveis: Sea of Red, uma baladinha de bocejar que fecha o álbum de maneira broxante, e a chatíssima Never the Heroes, que troca seu breve início à la Turbo (1986) para uma sonoridade que remete ao Fight da fase A Small Deadly Space (1995), e isso tem seus prós e contras.


Firepower tem outras duas remissões à banda formada por Halford depois de sua saída do Judas Priest, e especificamente ao segundo trabalho. Children of the Sun é a mais gritante, e Evil Never Dies, a melhor. Esta, aliás, fecha a ótima trinca de abertura do álbum, que começa com a rápida faixa-título e a sensacional Lightning Strike, que contagia com sua bateria cavalgada e um refrão de primeira. Portanto, vamos falar de coisas boas. Como Lone Wolf, na qual brilham Halford e Faulkner (belo solo).

Ou vamos falar das melhores. Muito bem escorada pela curta instrumental Guardians, Rising from Ruins é um heavy rock que flerta com balada e dá gosto de ouvir. E Traitors Gate com seu dedilhado inicial que, por um momento, dá a impressão de vai entrar Battle Hymn, do Manowar? Depois, uma sequência de riffs maneiros e um andamento empolgante. Para terminar, a favorita da casa: o bem-sucedido casamento com o hard rock que atende por No Surrender (e alguém falou em W.A.S.P. na guitarra do início?).


Firepower não é essa obra-prima toda, repito, mas é mais um bom capítulo do rejuvenescimento do Judas Priest – e Faulkner tem muito a ver com isso, diga-se. É também uma boa união do passado com o presente, incluindo o veterano Tom Allon – responsável por todos os discos de estúdio de British Steel (1980) a Ram it Down (1988) – para a coprodução ao lado do queridinho Andy Sneap (que, vocês sabem, está substituindo Tipton na turnê). Se este pode ser o canto dos cisnes, os fãs têm de se acostumar.

Faixas
1. Firepower
2. Lightning Strike
3. Evil Never Dies
4. Never the Heroes
5. Necromancer
6. Children of the Sun
7. Guardians
8. Rising from Ruins
9. Flame Thrower
10. Spectre
11. Traitors Gate
12. No Surrender
13. Lone Wolf
14. Sea of Red


Banda
Rob Halford – vocal
Glenn Tipton – guitarra
Richie Faulkner – guitarra
Ian Hill – baixo
Scott Travis – bateria

Lançamento: 09/03/2018
Produção: Tom Allom e Andy Sneap
Mixagem: Andy Sneap
Engenharia de som: Andy Sneap e Mike Exeter


  • Jay em 04:56

    Excelente resenha. Disco bem legal.

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