Kamelot – The Shadow Theory

Napalm | Importado | 2018

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Kamelot – The Shadow Theory

Por Daniel Dutra | Fotos: Divulgação

Se você está lendo esta resenha, então posso imaginar que seja um fã do Kamelot. Sendo assim, pergunto: gostou de Silverthorn (2012) e Haven (2015)? Se a resposta for positiva, pode sair correndo para comprar The Shadow Theory, porque é preciso dizer que Tommy Karevik (vocal), Thomas Youngblood (guitarra), Sean Tibbetts (baixo) e Oliver Palotai (teclados) resolveram abrir mão dos experimentos elementos mais modernos e até industriais, presentes no álbum anterior – o novato Johan Nunez (bateria) completa oficialmente a formação. Ou seja, quem é fã vai abrir um sorriso ainda maior no rosto com esse retorno às raízes. Isso fica latente logo em Phantom Divine (Shadow Empire), com um daqueles refrãos que a banda saber moldar como poucas no estilo, e que aqui ganhou a participação de Lauren Hart (Once Human) tanto no vocal limpo quanto no gutural.

Curiosamente, a canção é uma das várias em que Youngblood nos brinda com solos. O mentor do Kamelot andava bem econômico nesse sentido, mas resolveu usar a mão esquerda para fazer mais do que riffs, tanto que levou Palotai com ele. Há ótimos duelos de guitarra e teclados, o que deveria ser via de regra, em Kevlar Skin, que tem um baita riff mais pesado na parte cadenciada, e The Proud and the Broken, esta com um bonito interlúdio de piano e voz, numa grande performance de Karevik. Em Vespertine (My Crimson Bride), porém, Youngblood e seus dedos dividem os holofotes com os pés e as mãos de Nunez, que mostra personalidade ao fugir um pouco da linha rítmica construída durante mais de duas décadas por Casey Grillo (hoje no Queensrÿche) – em tempo: uma lesão na perna fez Nunez ser temporariamente substituído por Alex Landenburg (Luca Turilli’s Rhapsody).


O desapego em relação aos elementos adicionados em Haven, no entanto, não foi total. Amnesiac e, principalmente, MindFall Remedy carregam um pouco de modernidade em relação ao estilo do Kamelot. E as duas são um contraste: enquanto a primeira tem cara de hit, graças a refrão e melodia vocal mais palatáveis, a segunda traz aqueles ruídos que não assustam, mas que desagradaram a alguns fãs, e novos vocais guturais a cargo de Lauren – e ambas as faixas têm solos, diga-se. E esses toques mais modernos se fazem necessários, uma vez que o conceito de futuro distópico apresentado em Haven ganhou continuidade. Desta vez, com foco no ser humano, partindo da Teoria das Sombras, do psiquiatra suíço Carl Jung (1875-1961).

Ao abordar o lado negro do ser humano, que deve aceitá-lo para não ser totalmente abraçado pela escuridão, o Kamelot fez novamente um disco difícil para mentes preguiçosas – até porque envolve desvios morais e éticos cada vez mais presentes em nosso dia a dia, infelizmente. Mas a abordagem dos temas é feita com uma roupagem musical que resultou no melhor trabalho do Kamelot com Karevik nos vocais. Se não, vejamos: a ótima Static é mais um exemplo, com melodias, incluindo a vocal, que fazem jus ao belíssimo início com piano e orquestração. E a fantástica Burns to Embrace? Um solo bonito e mais melódico; mudanças de andamento com um criativo trabalho de Nunez; e, melhor de tudo, um coro infantil – com participação de Thomas Dalton, filho de Youngblood – que fecha a canção com ar de grandiosidade.

E se é o melhor dos três álbuns com Karevik, o cara que substituiu Roy Khan também tem que justificar mais um pouco a avaliação, certo? Pois bem, ouça a bela Stories Unheard e a excelente RavenLight, esta com arranjos caprichados de Palotai, que ainda mete mais um duelo com a guitarra – braço-direito de Youngblood, o tecladista é o corresponsável pelo ideal clima cinematográfico da introdução The Mission e da instrumental Ministrium (Shadow Key), que fecha o CD. Dito tudo isso, somente In Twilight Hours já valeria The Shadow Theory por inteiro. Com a participação de Jennifer Haben (Beyond the Twilight) num dueto com Karevik, a canção é uma daquelas baladas elegantes que poucos têm a manha de fazer. Manha que o Kamelot levou a outro patamar desde a chegada do vocalista. Vide Song for Jolee e Under Grey Skies. Se você leu a resenha e nunca ouviu o som do Kamelot, pode começar por aí.


Faixas
1. The Mission
2. Phantom Divine (Shadow Empire)
3. RavenLight
4. Amnesiac
5. Burns to Embrace
6. In Twilight Hours
7. Kevlar Skin
8. Static
9. MindFall Remedy
10. Stories Unheard
11. Vespertine (My Crimson Bride)
12. The Proud and the Broken
13. Ministrium (Shadow Key)


Banda
Tommy Karevik – vocal
Thomas Youngblood – guitarra
Sean Tibbetts – baixo
Oliver Palotai – teclados
Johan Nunez – bateria

Convidados especiais
Lauren Hart – vocal
Jennifer Haben – vocal


Lançamento: 06/04/2018

Produção e mixagem: Sascha Paeth

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