Phil Campbell and the Bastard Sons – The Age of Absurdity

Nuclear Blast/Shinigami | Nacional | 2018

Foto: Dan Sturgess/Divulgação

Phil Campbell and the Bastard Sons – The Age of Absurdity

Por Daniel Dutra | Fotos: Dan Sturgess/Divulgação

Depois de apenas uma audição de The Age of Absurdity, dá para dizer que o EP homônimo, lançado em 2016, não chegou nem mesmo a ser uma palinha do que estava por vir. Apesar de bem legais, aquelas cinco músicas não adiantaram o altíssimo nível do primeiro full-length do ex-guitarrista do Motörhead Phil Campbell ao lado dos filhos bastardos Neil Starr (vocal), Todd Campbell (guitarra), Tyla Campbell e Dane Campbell – obviamente, apenas os três últimos são filhos do homem, mas a licença poética pode e deve ser usada sem parcimônia.

Uma coisa, no entanto, Phil Campbell and the Bastard Sons havia entregado: há uma referência aqui, outra ali, mas o quinteto estava bem afastado da banda na qual Phil passou 31 anos de sua vida. Você quer Motörhead? Vai encontrar no espetacular riff do arrasa-quarteirão Ringleader, que abre o CD, mas, convenhamos, é algo cuja marca está registrada também em nome do guitarrista. Ainda tem Gypsy Kiss, com algo de punk rock que Lemmy e companhia faziam ganhar identidade própria, mas para por aí.


Com altas doses de peso, claro, o Phil Campbell and the Bastard Sons faz um rock’n’roll para chamar de seu. Sem firulas e com refrãos grudentos, como nas ótimas Freakshow, Welcome to Hell, Step Into the Fire e Get on Your Knees, esta um daqueles exemplos de canção que não deixam o ouvinte quieto. E sabe os riffs do veterano da turma? Como se rejuvenescido por uma nova geração, mesmo sendo uma que cresceu ouvindo seu trabalho, Phil abriu o arquivo para mostrar um arsenal bem diverso. Em uma mesma música, Skin and Bones, há um riff melhor que o outro. Todos sem fazer nenhuma remissão a não ser ao bom e velho rock’n’roll.

O álbum é dar gosto do início ao fim, mas é impossível não destacar quatro das suas faixas. High Rules, que entrega no refrão o nome do disco, cresce da introdução de baixo (com um som bonitão, é bom ressaltar) a riffs e melodias empolgantes; e a longa e cadenciada Into the Dark, que fecha o trabalho, mostra um grupo olhando com carinho para o rock progressivo, mas sem abandonar sua essência. Talvez seja por isso, aliás, que a música tenha o solo de guitarra que mais chama a atenção em toda a audição.


Dark Days tem um forte acento de blues enriquecido por um gaita esperta, tocada por Todd, um refresco para a curta e grossa Dropping the Needle, uma locomotiva que chega para destruir tudo em menos de dois minutos. Sua letra antidrogas, aliás, também é uma ode ao rock, e é nela que se sobressai o talento de Starr. Apenas os ingênuos esperariam um vocalista que emulasse Lemmy, e o frontman canta os clássicos do Motörhead (procure por vídeos no YouTube) com a personalidade que apresenta o próprio material. Sua voz é mais melódica, mas ele entrega também performances cheias de raiva. Que venho o próximo álbum.

Faixas
1. Ringleader
2. Freak Show
3. Skin and Bones
4. Gypsy Kiss
5. Welcome to Hell
6. Dark Days
7. Dropping the Needle
8. Step Into the Fire
9. Get on Your Knees
10. High Rule
11. Into the Dark
12. Silver Machine (bônus)


Banda
Neil Starr – vocal
Phil Campbell – guitarra
Todd Campbell – guitarra e gaita
Tyla Campbell – baixo
Dane Campbell – bateria

Lançamento: 26/01/2018

Produção e mixagem: Romesh Dodangoda

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