Red Dragon Cartel – Patina

Frontiers | Importado | 2018

Foto: Divulgação

Red Dragon Cartel – Patina

Por Daniel Dutra | Fotos: Divulgação

Quando Jake E. Lee apareceu no videoclipe de We Come Undone, do Beggars & Thieves, no fim de 2011, a reação foi tão positiva que os fãs passaram a sonhar com a possibilidade de ele sair do exílio e voltar a fazer música. Efetivamente, porque o guitarrista não lançava nada desde Retraced (2005), o álbum de covers que não o tirou de casa, assim como seu primeiro disco solo, o instrumental A Fine Pink Mist (1996), também não o fez voltar aos palcos. Tirando uma ou outra aparição surpresa e relâmpago em Las Vegas, onde reside, Lee estava longe dos holofotes e do grande público havia quase 20 anos.

Mas aquele clipe e um empurrãozinho de Kevin Churko e de Ronnie Mancuso – produtor e guitarrista/baixista do Beggars & Thieves, respectivamente – deram resultado: três anos depois, Lee estava de volta com o Red Dragon Cartel. No entanto, se você torceu o nariz para o homônimo disco de estreia, que chegou às lojas em 2014, saiba que Patina é exatamente o que o single/videoclipe Havana entregou: um Jake E. Lee old school, à la Badlands. E não foi apenas a sonoridade mais moderna que ficou para trás, porque a produção de primeira também remete ao passado, com um toque especial de Max Norman na mixagem – ele e Lee trabalharam juntos em Bark at the Moon (1983), de Ozzy Osbourne.


Apoiado por uma nova e ótima cozinha – Anthony Esposito (baixo, ex-Lynch Mob e Ace Frehley) e Phil Varone (bateria, ex-Skid Row) –, o gênio das seis cordas fez um álbum para emocionar o fã. E o início do álbum é arrasador: Speedbag tem nuances de guitarra que vão muito além do ótimo riff palhetado, além de um trabalho tribal bem interessante de Varone; e Havana entrega mais um riff sensacional para rivalizar com o solo debulhador, cheio de feeling e com direito a wah-wah no fim. As duas apontam o caminho pelo qual seguem mais algumas canções empolgantes: Bitter, com um baita riff funkeado, e Punchclown, que mostra a todos como esse cara toca bonito demais…

Aliás, Lee se divide entre largar os dedos no braço da guitarra – ouça The Luxury of Breathing, que tem algo de Dusk (1998), as demos do que seria o terceiro trabalho do Badlands, mas que acabaram virando CD anos depois – e mostrar um feeling de arrepiar, como na bonita A Painted Heart, que destaca também as linhas de baixo – vale ressaltar: Esposito coproduziu o disco e coescreveu as músicas com Lee, ou seja, virou o homem de confiança do chefe. Mas, no geral, o trabalho de guitarra tem tantos detalhes que vale ouvir o álbum com fones de ouvido. Experimente fazer isso nas ótimas Crooked Man, mais arrastada, e My Beautiful Mess, com toques de psicodelia.

No entanto, é a excelente Ink & Water que melhor ilustra o trabalho de Lee no disco: com toques de jazz e surf music, também pede a ouvidos mais atentos a percepção de uma das técnicas peculiares do guitarrista: criar melodias batendo com os dedos da mão direita nas cordas logo acima dos captadores, como em Fool Like You, de The Ultimate Sin (1986), seu último trabalho com Ozzy. Ah, e não pense que esqueci: tão criticado, especialmente por causa de sua péssima estreia ao vivo, Darren James Smith segue no comando do microfone, mas parece outro vocalista, mais seguro, confiante mesmo. Ouça a belíssima Chasing Ghosts, na qual ele gravou várias camadas de voz, e entenda por que Lee insistiu em mantê-lo. Valeu a pena. O novo Red Dragon Cartel e Patina não são o Badlands – nunca qualquer outra coisa será –, mas é um lindo presente de um dos melhores e mais criativos guitarristas do hard rock.


Faixas
1. Speedbag
2. Havana
3. Crooked Man
4. The Luxury of Breathing
5. Bitter
6. Chasing Ghosts
7. A Painted Heart
8. Punchclown
9. My Beautiful Mess
10. Ink & Water

Banda
Darren James Smith – vocal
Jake E. Lee – guitarra
Anthony Esposito – baixo
Phil Varone – bateria


Lançamento: 09/11/2018

Produção: Anthony Esposito e Jake E. Lee
Mixagem: Max Norman

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