U.D.O. – Steelfactory

AFM/Vallhall | Nacional | 2018

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U.D.O. – Steelfactory

Por Daniel Dutra | Fotos: Divulgação

Depois de Decadent (2015), Udo Dirkschneider deu um tempo no material autoral e caiu na estrada para dar um adeus aos inúmeros clássicos que gravou com o Accept. A turnê rendeu dois discos ao vivo – Live – Back to the Roots (2016) e Live – Back to the Roots – Accepted! (2017) , com a banda levando seu sobrenome –, e o retorno do baixinho às atividades com o U.D.O. foi marcado pelo lançamento de Steelfactory. Mas o 16º álbum de estúdio traz o vocalista e banda – Andrey Smirnov (guitarra), Fitty Wienhold (baixo) e Sven Dirkschneider (bateria) – soando mais Accept do que nunca.

Claro, a voz de Udo será sempre associada ao grupo alemão, mas aqui é o instrumental que traz mesmo as referências, porque, por incrível que pareça, nem mesmo o ótimo Animal House (1987) soa tão parecido – e olha que as composições do álbum de estreia são assinadas por Accept e Deaffy, o pseudônimo de Gaby Hoffmann, esposa de Wolf e empresária do quinteto. E entre as 15 faixas do CD, considerando as duas que entraram como bônus na versão digipack, essas referências são gritantes em pelo menos seis delas, como Tongue Reaper, que abre o disco chutando a porta: é rápida e tem um refrão forte.


Trata-se, na verdade, de um recurso que a ex-banda de Udo vem utilizando desde a volta, em 2009. Mas não é só de velocidade que se trata, já que a cadenciada One Heart One Soul fala a mesma língua. Mas se você ainda não está convencido, ouça Hungry and Angry – xerox colorida, autenticada e com firma reconhecida em cartório – ou Rising High – qualquer semelhança com Aiming High não parece ser mera coincidência. Pronto, agora pode fazer por você mesmo a associação ao passado na ótima Make the Move, que apresenta o grande destaque de Steelfactory: Smirnov, em um de seus solos de tirar o fôlego.

O guitarrista russo ainda incorpora Wolf Hoffmann, digamos assim, em Blood on Fire. Sabe os temas clássicos que o líder do Accept mete em algumas músicas? Tipo Für Elise, de Ludwig van Beethoven, em Metal Heart? Para não ficar tão descarado, o que rola no solo da melhor canção do novo álbum é o tango La Cumparsita, de Carlos Gardel. Ficou sensacional. E quando digo que Smirnov é, individualmente, o destaque, há outros exemplos: Eraser e The Devil is an Angel mostram muita técnica, e In the Heat of the Night apresenta versatilidade no violão bem encaixado entre as guitarras e um solo muito bonito.


Aliás, vale citar que o russo gravou todas as guitarras, uma vez que, segundo Udo, os outros guitarristas – primeiro o finlandês Kasperi Heikkinen, depois o brasileiro Bill Hudson – foram demitidos por não jogarem para o time. Dee Dammers foi anunciado como quinto membro, enquanto Wienhold deu adeus ao U.D.O. depois de 22 anos, sendo substituído por Tilen Hudrap. Com os dois novos integrantes, o grupo já está apresentando músicas como Keeper of My Soul, que tem uma ótima melodia vinda diretamente do Oriente Médio, algo que se repete em Raise the Game, e bem poderia acrescentar no repertório Rose in the Desert, que respira um pouco do hard rock dos anos 80, ou a balada The Way, cuja letra é praticamente uma biografia de Udo Dirkschneider – sem soar como uma despedida (como pode parecer), mas como um aviso de que ainda há mais por vir. Afinal, Steelfactory já está dominando o setlist, com sete músicas, e, claro, não tem mais Accept nos shows.

Faixas
1. Tongue Reaper
2. Make the Move
3. Keeper of My Soul
4. In the Heat of the Night
5. Raise the Game
6. Blood on Fire
7. Rising High
8. The Devil is an Angel (bônus)
9. Hungry and Angry
10. One Heart One Soul
11. Pictures in My Dreams (bônus)
12. A Bite of Evil
13. Eraser
14. Rose in the Desert
15. The Way


Banda
Udo Dirkschneider – vocal
Andrey Smirnov – guitarra
Fitty Wienhold – baixo
Sven Dirkschneider – bateria

Lançamento: 31/08/2018

Produção e mixagem: Jacob Hansen

  • Igor Maxwel em 16:34

    Recentemente eu ouvi esse novo álbum do U.D.O. e sinceramente não gostei muito, achei um trabalho bem fraco e sem inspiração… Pra mim, o último disco realmente bom do ex-vocalista do Accept foi Steelhammer (2013). E quanto ao Accept, acho os três discos com o vocalista Mark Tornillo bem melhores – Blood of the Nations (2010), Stalingrad (2012) e, em especial, Blind Rage (2014). Todos muito bons, com exceção do último que saiu no ano passado, The Rise of Chaos (2017), que sofre do mesmo mal que sofre este novo disco do baixinho Udo Dirkschneider.

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