Saxon

Vivo Rio – Rio de Janeiro/RJ – 15/03/2019

Foto: Daniel Croce

Saxon

Por Daniel Dutra | Fotos: Daniel Croce

As águas de março… Quis o destino que a primeira vez do Saxon no Rio de Janeiro, apesar de a banda ter passado pelo Brasil em seis oportunidades anteriores (1997, 1998, 2002, 2011, 2013 e 2018), acontecesse no mês em que a cidade costuma sofrer com as chuvas. Some-se a isso um público que parece estar evitando shows de heavy metal, considerando também uma crise econômica no estado maior do que a média nacional, e a receita está completa: um Vivo Rio com uma ocupação aquém do que o quinteto merece. Uma pena. Se necessário, era o caso de improvisar um Noé e construir um barco para sair de casa – até choveu, mas não foi para tanto –, porque se era imaginado que Biff Byford (vocal), Paul Quinn e Doug Scarratt (guitarras), Nibbs Carter (baixo) e Nigel Glockler (bateria) iriam matar a pau, as quase duas horas de show superaram as melhores expectativas.

Em vários momentos eu já disse que, hoje em dia, ninguém faz um show de metal melhor que o Accept. É verdade, mas alguns nomes mandam tão bem quanto: Armored Saint, Metal Church e o próprio Saxon. É normal a lista crescer quando se adiciona uma novidade ao currículo musical, e a grande maioria dos presentes na pista e nos camarotes da casa também estava debutando numa apresentação da banda inglesa, então o impacto foi imediato. Apesar do som muito alto e, consequentemente, embolado – continuou alto, mas foi aos poucos ficando clareando –, a dobradinha inicial mostrou que a noite seria matadora. Thunderbolt e Sacrifice foram um arregaço, mas o melhor mesmo foi perceber ao vivo como as faixas-título dos álbuns lançados em 2018 e 2013, respectivamente, provam como o grupo se manteve relevante depois de 40 anos de estrada.

Mas como a turnê é para comemorar esse aniversário de quatro décadas, considerando o homônimo disco de estreia, vamos aos clássicos… “É muito bom estar aqui pela primeira vez”, disse Byford pouco antes de gravar a plateia com o celular e, em seguida, soltar a voz afiadíssima em Wheels of Steel – e foi aí que começou o show particular de Glockler, diga-se. Strong Arm of the Law e Denim and Leather foram emocionantes, em boa parte pelo público cantando ativamente o refrão, num comportamento que foi de encontro à frieza demonstrada em alguns momentos do show. Ainda empolgados com a trinca de clássicos, os fãs soltaram a garganta no “Olê, olê, olê! Saxon! Saxon!”, e Byford respondeu trocando o nome da banda pelo da cidade. Foi a deixa para a belíssima porrada chamada Battering Ram.


“Vamos tocar duas músicas de nosso primeiro álbum, de 1979”, anunciou o vocalista antes de os cinco detonarem com Frozen Rainbow e Backs to the Wall. Lá estava Glockler fazendo bonito na bateria, mas Scarrat, com um solo emocionante em Frozen Rainbow, e Carter, agitando como se não houvesse amanhã em Backs to the Wall, mereceram o destaque dos holofotes. Pulando do primeiro direto para o trabalho mais recente, Byford anunciou que era hora de uma canção que “fala da nossa primeira turnê, em 1979, ao lado de uma banda chamada Motörhead”, e assim They Played Rock and Roll explodiu no som da casa antes de o quinteto soltar mais um clássico, Power and the Glory – e se houve um único porém na apresentação, e um totalmente justificável, foi o pouco material extraído de Thunderbolt (clique aqui para ler a resenha do álbum), pois cabia Pretador, talvez Sniper ou até Nosferatu (The Vampire’s Waltz). Mas fica para uma próxima vez. Amém!

“O que vocês querem ouvir?”, perguntou o carismático Byford. Ninguém queria ouvir material novo, obviamente, e as opções foram dadas ao público: The Eagle Has Landed, Ride Like the Wind, Broken Heroes, Solid Ball of Rock, Motorcycle Man e 20.000 Ft. “Bom, nada como uma plateia gritando o nome da música”, disse o vocalista ao responder ao anseio dos fãs por The Eagle Has Landed, que foi mais um daqueles momentos emocionantes para quem nunca tinha visto o Saxon em cima de um palco. Curiosamente, ela ficou fora do apresentação em Porto Alegre, onde teve seu espaço no repertório ocupado por Broken Heroes e Motorycle Man. Isso porque… “Vocês não querem ouvir Ride Like the Wind” ? Nós vamos tocar”, mandou Byford. E o cover de Christopher Cross, que tinha sido a escolha dos gaúchos duas noites antes, soou fantástica.

Depois de dar uma zoada por causa do constante ruído da guitarra de Quinn, quando este acionava um determinado pedal, Byford colocou os fãs para cantar 747 (Strangers in the Night). Nem precisou fazer esforço, assim como Carter se mostrava incansável ao agitar alucinadamente em And the Bands Played on. Lionheart, por sua vez, provou ser uma das novas favoritas dos fãs – apesar de que lá se vão quase 15 anos do disco que leva seu nome –, e a velhinha To Hell and Back Again, com seus 38 anos de vida, colocou o vocalista para bater cabeça, Glockler para brincar de tocar bateria e Carter no centro das atenções. Sério mesmo, a presença de palco do baixista é maravilhosamente animal! E incansável, porque logo a seguir, em Dallas 1 PM, o cara continuou possuído. Deu gosto de ver.

Celular novamente na mão, Byford fez aquela média bacana com os fãs ao filmá-los. Mas o momento pedia, afinal, era para registar o semblante dos fãs que ouviam Crusader ao vivo pela primeira vez. Necessário dissertar? Não, mas o clássico encerrou a apresentação antes do bis que todo mundo sabia que ia rolar. E ele começou em alta com a joia Heavy Metal Thunder – na boa, de novo, o que é a presença de palco do Carter?! –, deu uma baixada com Never Surrender, que ficou meio perdida, e terminou de fato num clímax. “Amanhã nós tocaremos em São Paulo…”, o vocalista começou a falar, antes de ser interrompido por vaias. “Eu sei, eu sei. Isso é coisa do futebol, certo? Torço pelo Manchester United, então entendo vocês.” Não exatamente, Biff, mas você se saiu bem e arrancou risos do público. “Tudo bem, vamos tocar em São Paulo, mas hoje estamos no Rio de Janeiro!”, completou o vocalista, agora sob uma salva de palmas. Então, Princess of the Night ecoou para fechar uma noite inesquecível com o que o heavy metal pode oferecer de melhor. E sejam bem-vindos mais vezes, Biff, Paul, Nigel, Doug e Nibbs.

Setlist
Thunderbolt
Sacrifice
Wheels of Steel
Strong Arm of the Law
Denim and Leather
Battering Ram
Frozen Rainbow
Backs to the Wall
They Played Rock and Roll
Power and the Glory
The Eagle Has Landed
Ride Like the Wind
747 (Strangers in the Night)
And the Bands Played on
Lionheart
To Hell and Back Again
Dallas 1 PM
Crusader
Bis
Heavy Metal Thunder
Never Surrender
Princess of the Night

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