Inglorious – Ride to Nowhere

Por Daniel Dutra | Fotos: Divulgação

Classic British rock. É assim que Nathan James se refere à sua banda, graças ao resgate da sonoridade inglesa do hard rock dos anos 70 que faz ao lado de Andreas Eriksson e Drew Lowe (guitarras), Colin Parkinson (baixo) e Phil Beaver (bateria) – ou fazia, na verdade, porque apenas o batera continua na formação. Antes mesmo do lançamento de Ride to Nowhere, um choque de egos com James fez com que Eriksson, Lowe e Parkinson pedissem as contas, e o vocalista prontamente os substituiu por Danny Dela Cruz, Dan Stevens e o brasileiro Vinnie Colla, respectivamente. O efeito do entra e sai de músicos só será sentido no próximo álbum, obviamente, mas a verdade é que o Inglorious faz aquele resgate tão bem, mas tão bem que se tornou um dos melhores nomes do hard rock nos anos 2010.

Os dois primeiros álbuns, Inglorious (2016) e Inglorious II (2017), são essenciais para quem curte o estilo, e o terceiro trabalho vai pelo mesmo caminho. Curiosamente, no entanto, mostra um grupo construindo uma identidade bem particular – que será mesmo testada no próximo disco, uma vez que o novo material tem a assinatura de James ao lado dos ex-integrantes, principalmente de Parkinson. De qualquer maneira, canções como Where Are You Now?, Queen e Liar têm estruturas que identificam imediatamente a banda inglesa, muito por causa dos refrãos e das melodias vocais. É um classic rock repaginado por uma banda nova, uma vez que o Inglorious tem apenas cinco anos de vida.


Mas por que repaginado? Bom, ouça a faixa-título. Ride to Nowhere, a música, tem mudanças de clima e passagens instrumentais interessantes, incluindo um discreto e bem encaixado Hammond, cortesia do convidado Troy Draper, responsável por todos os teclados. Porém, ela surpreende por apresentar um peso até então incomum ao quinteto. Freak Show, por sua vez, apresenta parte desses elementos, mesmo que em menor proporção, porque seu destaque é um refrão com um coro para lá de pegajoso. Mas refrão sensacional mesmo tem a ótima While She Sleeps, que ainda presenteia os fãs de guitarra com um baita trabalho de seis cordas. E é interessante notar que Eriksson e Lowe se dividiram entre os dois canais, portanto, vale a pena meter os fones de ouvido.

E com todas essas nuances, o mais legal no CD é encontrar cinco das melhores obras criadas pelo Inglorious. Comece pela ‘bluesy’ Never Alone, que tem um toque de Led Zeppelin, e depois vá direto para as suingadas Tomorrow e Time to Go. A primeira tem um baixo lindão durante o solo e (mais um) refrão grudento, enquanto a segunda arrisca uma melodia vocal funkeada, a deixa perfeita para o groove que rola solto na ponte e no refrão – reparou que os caras são muito bons nisso, né? E se o novo álbum apresenta em nove das suas 11 faixas um classic rock com peso e groove, sobra espaço para a beleza das baladas.


Com participação de Heather Leoni (Gypsy Heart), I Don’t Know You mostra James numa performance muito próxima de Glenn Hughes, especialmente no início da canção, e traz um solo matador de Eriksson – e fica a dica: o dueto ficou ainda melhor na versão piano e voz(es) que entrou como bônus na edição japonesa de Ride to Nowhere, principalmente porque Heather ganhou mais frases da letra. E ainda tem a acústica Glory Days, para mostrar não apenas que James canta uma barbaridade, mas que o inglês é, provavelmente, o melhor vocalista de rock surgido nesta década. Provavelmente só porque falta pouco para os anos 2020 começarem…

Faixas
1. Where Are You Now?
2. Freak Show
3. Never Alone
4. Tomorrow
5. Queen
6. Liar
7. Time to Go
8. I Don’t Know You
9. While She Sleeps
10. Ride to Nowhere
11. Glory Days


Banda
Nathan James – vocal
Andreas Eriksson – guitarra
Drew Lowe – guitarra
Colin Parkinson – baixo
Phil Beaver – bateria

Lançamento: 25/01/2019

Produção: Inglorious
Mixagem: Kevin Shirley